terça-feira, 22 de maio de 2012

A FINALIDADE DA LITERATURA SEGUNDO A POÉTICA DE ARISTÓTELES


- Para Aristóteles, a catarse é a finalidade da literatura. Na Poética, ele diz que a função da poesia é o prazer (hedone), não um prazer grosseiro e corruptor, mas puro e elevado.Este prazer oferecido pela poesia não deve ser considerado como simples manifestação lúdica, devendo antes ser entendido segundo uma perspectiva ética:

“A tragédia é uma imitação da ação, elevada e completa, dotada de extensão, numa linguagem temperada, com formas diferentes em cada parte, que serve da ação e não da narração, e que, por meio da comiseração e do medo, provoca a purificação de tais paixões”.

- Aristóteles tomou o vocábulo “catarse” da linguagem médica, onde designava um processo purificador que limpa o corpo de elementos nocivos. O filósofo ao caracterizar o efeito catártico da tragédia, não tem em mente um processo de depuração terapêutica ou mística, mas um processo purificador de natureza psicológico-intelectual.

- No mundo conflituoso das paixões e das forças primitivas, a poesia trágica, concebida como uma espécie de mediadora entre a sensibilidade e o logos (razão), instaura uma disciplina iluminante, impedindo a desmesura da agitação passional.

- Aristóteles não advoga a extirpação dos impulsos irracionais, mas sim a sua clarificação racional, a sua purgação dos elementos excessivos e viciosos: “Assistir a dor fictícia de outra pessoa leva a um desafogo inócuo de paixões como o medo e a piedade”. E desta higiene homeopática da alma humana resulta um prazer superior e de bem estar.

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